Aqui na Rede Mãos Dadas estamos em meio ao MMO – Mutirão Mundial de Oração – convidando famílias, organizações que servem crianças, igrejas, escolas e comunidades a entregarem em oração a galerinha que é pequena em idade, porém grande em sonhos e expectativas. Estamos neste movimento de procurar orar, refletir e construir pontes entre o coração dessas crianças e o coração de Deus. Tudo para que, neste movimento, a criança que sofre seja capaz de ver que, apesar de dificuldades tamanhas na vida, as mãos do Senhor Deus são grandes para suportar sua dor – Ele aguenta, Ele orienta, Ele sustenta, Ele é capaz de mudar a história!
Mas e quando o adulto que tem que ensinar não tem conseguido orar de verdade?
A típica cena do pai que está ensinando o filho a orar antes de comer, mas ele mesmo não lembra da conversa com Deus durante seu dia. Cena da mãe que não quer que o filho coma doce, mas ela mesma tem que correr para o leite condensado no meio do dia. O pai pedindo paciência enquanto reage impulsivamente. A mãe cobrando constância enquanto vive exausta e desorganizada… Enfim, e assim vamos nós. Adultos tentando ensinar, sem terem ainda o ensino em si. Sem terem aprendido. Essa é uma dor muito real da parentalidade: precisar ensinar habilidades que o próprio eu ainda luta para construir em si. E hoje vamos pensar sobre a oração nesta perspectiva. No meio do Mutirão de Oração vamos pensar no quão chato, difícil e cansativo é orar. Para criança. Para o adulto. Pois é… oração exige disciplina.
Para aprender é preciso amar a disciplina… (Provérbios 12:1a)
Falar de oração é falar de disciplina, sim. A oração nos muda; nos ensina a acalmar quando o natural seria estressar, nos ensina a confiar quando o natural seria temer. Por isso, podemos falar que “ensinar a criança a orar” é também falar de “nós, adultos, aprendendo a orar” também. Por mais que eu queira enxergar a oração como “conversas com Deus, meu amigo”, “o momento de estar na presença graciosa de Deus, algo tão prazeroso”, em muitas situações, todos sabemos, é muito difícil orar. Queremos ensinar as crianças sobre oração. Mas temos amado a disciplina de estar em oração todos os dias? Por que tememos tanto essa palavra “disciplina”?
Pensemos o seguinte: padrões automáticos exigem menos energia cerebral. Isso é um fato. Aprender a deixar Deus acalmar meu coração diante de um problema é um comportamento novo, algo que exige esforço real, cognitivo e emocional. E, em contrapartida, hábitos antigos são emocionalmente familiares. Leia de novo: emocionalmente familiares. Ou seja: sob estresse e desconforto, o cérebro retorna ao automático, ao que conhece. Assim, a disciplina (da oração) nos confronta, nos coloca limites, nos mostra o quão pequenos somos, o quão infantis ainda somos. Sim, diante da disciplina que Deus quer de nós, muitas vezes somos iguais aos nossos filhos.
E como nosso Pai Celeste lida conosco, diante da nossa infantildiade? Ele nos repreende? Sim. Ele nos corrige? Sim. Ele nos ensina o Caminho melhor? Sim. Mas Ele faz tudo isso, literalmente, pagando o preço desse ensino com seu próprio sangue, com seu amor incondicional. Com tanta paciência.
Certamente alguns aqui, como eu, ainda não temos todo o repertório da disciplina da oração bem consolidado, de modo que saibamos entrar na presença do Senhor todos os dias com facilidade, com constância, com coração quebrantado e contrito, tendo autoridade para ensinar aos pequenos a fazer o mesmo com naturalidade. Mas, justamente, ao entender que o processo de aprendizagem da disciplina não está em compreender o certo, mas em sustentar o certo repetidamente, eu posso me colocar nesse lugar de aprender a repetir, errando e acertando no caminho. Encarando meu lugar limitado. E ajudando a criança a encarar o lugar limitado no caminho dela, também. Aprendo a lidar com recomeço, com consistência, com constância imperfeita, com responsabilidade diante do meu relacionamento com Deus. Ele quer disciplina de mim, sim. E me ama em todo meu processo imperfeito de consegui-la. As crianças precisam saber!
Afinal, o filho não precisa de pais perfeitos na oração. Mas como é maravilhoso quando ele pode ver adultos dispostos a olhar para si mesmos em relação à oração. E como a oração nos ajuda nesse processo! Filhos observam mais do que escutam; aprendem pela repetição no cotidiano e absorvem como os pais lidam consigo mesmos. O maior ensino de disciplina na oração, para as crianças, talvez seja justamente o filho observando o adulto que tenta, cai, recomeça e sustenta sua escolha coerente de insistir em falar com seu Pai de Amor, apesar das tentações e dificuldades. Participe do nosso Mutirão Mundial de Oração 2026, orando por crianças e adolescentes que precisam! Vamos juntos!
Débora Vieira é psicóloga parental e editora da Rede Mãos Dadas
