Sustentados para sustentar: a oração e o cuidado das crianças

Sustentados para sustentar: a oração e o cuidado das crianças

Que educador, pai ou mãe, não viveu uma situação em que se percebeu surpreendido, perplexo, com peso no peito, e tenha se perguntado: o que eu faço agora? Independentemente de tempo de experiência, tamanho do amor, boa vontade, conhecimento, a demanda traz algo que precisa de mais do cuidador, que se pega sem segurança para saber como agir. Uma mãe que percebe que o filho está sofrendo, mas não consegue alcançá-lo. Um pai que quer proteger com firmeza, mas não sabe como se aproximar. Um educador que enxerga na criança algo que a família ainda não viu. Um líder de ministério infantil que acolhe, semana após semana, uma criança que carrega marcas que ele não sabe como nomear. Qualquer adulto que esteja na vida de uma criança como referência, como cuidado e presença, pode acabar passando por isso. 

Ah, a oração. Ela faz parte do caminho justamente quando há esse espaço para o reconhecimento dos limites do nosso próprio entendimento. É aí que nos tornamos mais disponíveis para a sabedoria que vem de fora de nós. Pois, sim, temos a tendência de olhar para aquele lugar de que não podemos errar, hesitar ou sentir que estamos caminhando no escuro quando cuidamos de alguém. Mas a realidade do cuidador é outra: é aquela que somente o Senhor – que tem todas as coisas em Suas mãos – consegue sustentar 

Tiago 1:5 nos lembra da grande generosidade do Sustentador de todas as coisas: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade, e ela lhe será concedida.” Não há condicional difícil aqui. Não há exigência de que primeiro tenhamos tentado tudo sozinhos. A promessa é simples e direta: peça. Deus dá. E dá de boa vontade – sem nos olhar com impaciência por não sabermos, sem nos cobrar por precisarmos de ajuda. Essa promessa não é abstrata. Ela é profundamente prática para quem cuida de uma criança que está sofrendo.

Acompanhar uma criança em meio à dor é um exercício constante de discernimento. Há momentos em que ela precisa que fiquemos em silêncio ao seu lado. Outros em que ela precisa que falemos, mesmo que as palavras sejam difíceis de ouvir. Há situações em que protegê-la significa tomar decisões que ela ainda não consegue compreender – e aceitar, temporariamente, que ela não vai entender, que talvez fique brava, que talvez se afaste um pouco. E há o peso de saber que nem sempre podemos poupar uma criança de toda a dor. 

Porém, o educador cristão pode deixar claro para si e para sua criança que ela não enfrentará tudo isso sozinha. Ele está ali. E não precisa fingir que tem tudo sob controle. Ele pode entrar na presença do Senhor com a situação exatamente como ela está – complicada, dolorosa, sem resolução à vista – e confiar que está em Companhia.  “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17) faz sentido. Não é uma instrução impossível de cumprir, ao contrário. É o que garante um coração em diálogo constante com o Pai, é o que assegura a paz que excede o entendimento em meio ao caos. O salmista se relacionava com esse Deus e tinha a certeza em seu coração:

Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te sustentará; jamais permitirá que o justo seja abalado.” (Salmo 55:22)

As mãos do Senhor sustentam! Podemos ler “os teus cuidados” aqui como os cuidados que também carregamos pelos outros: as crianças que estamos acompanhando, as histórias que nos foram confiadas, as situações que nos tiram o sono. O Senhor sustenta. Não vamos ceder, não vamos desmoronar, não vamos nos perder – porque há uma mão que nos segura enquanto caminhamos por terrenos difíceis.

Isso importa muito para quem cuida de crianças. Porque o cuidado sustentado, aquele que permanece mesmo quando é difícil, mesmo quando a criança ainda não consegue reconhecê-lo, mesmo quando os resultados demoram a aparecer – esse tipo de cuidado exige que o cuidador também seja sustentado. E o Senhor garante que faz exatamente isso. 

É a oração que nutre a relação com esse Deus. Não como o recurso de quem já esgotou todas as outras opções, mas como o primeiro movimento de quem entende que cuidar de uma criança é sempre, em alguma medida, uma tarefa que ultrapassa a nós mesmos. Podemos pedir sabedoria. Podemos confiar nossos cuidados. Podemos caminhar sustentados – e sustentar, a partir disso, as crianças que estão ao nosso lado. 

Veja o video do MMO 2026 e se inspire para orar pelas crianças que estão perto de você:

Nas mãos de Deus cabe tudo! | Mutirão Mundial de Oração 2026

 

Débora Vieira é psicóloga parental e editora da Rede Mãos Dadas.

 

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