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Adriano: pronto para preencher seu lugar ao sol

Dizem que pau que nasce torto, nunca se endireita. Pois a história de Adriano mostra que crianças não nascem tortas. Nascem tenras, flexíveis como os brotos de uma trepadeira. Cabe a nós prover a estrutura para que cresçam, floresçam e encham o jardim de um verde estonteante.

Chão batido
Ao nascer, Adriano foi crescendo e descobrindo que não tinha em que se agarrar. Filho mais velho, conviveu com a pobreza, a desavença familiar, a doença crônica da mãe e as freqüentes mudanças, provocadas pelo subemprego do pai. Aos 8 anos, a mãe abandonou o lar, deixando Adriano e seus três irmãos Ana Paula (7 anos), Sandro (5 anos) e Driana (1 ano) sob a guarda do pai. Ester Rodrigues Machado nunca mais apareceu.

Era comum para Adriano acordar durante a noite sob açoites, xingos e gritos de um pai transtornado pela ira. As meninas foram morar com umas tias. Os dois meninos, quando não iam “trampar” com o pai em Caraguatatuba, ficaram sozinhos no Jardim Miriam, em Santo Amaro – sem comida, sem dinheiro e sem limites – a semana toda. Adriano vadiou pela zona sul de São Paulo, participou de arrastões, roubou toca-fitas de carros. E nada fazia com que seus ramos ganhassem altura.

Canteiro novo
Aos 10 anos, idade em que foi admitido com seus irmãos, por ordem judicial, à casa-lar do Vale da Benção, em Araçariguama, Adriano teve dois sentimentos: primeiro, alívio, pois estaria longe do pai; depois, esperança, porque viu que ali era um lugar sólido e fértil. A gritaria foi substituída por ordem e limites. Adriano foi para a escola, cresceu, aprendeu a amar a Deus e a perdoar o próximo (inclusive seu pai), descobriu a música e o esporte. Teve de se adaptar a eventuais trocas de “jardineiros”, mas nunca deixou de receber água, adubo e as podas necessárias para o seu desenvolvimento.

Ao pé do muro
Aos 18 anos, chegou a hora de ser replantado. Hoje, Adriano Machado Batista, com 19 anos, mora num pequeno apartamento alugado em Sorocaba e trabalha no McDonald´s. Estuda à noite e joga bola nas horas vagas. Nos fins de semana vai à igreja, visita o irmão e as irmãs, que continuam na Associação Educacional Beneficente Vale da Bênção. Sonha em fazer educação física, ser proprietário de uma academia e ajudar seus irmãos mais novos.

Adriano enfrenta hoje um grande desafio: suas raízes ainda buscam profundidade no novo terreno e seus ramos, viçosos e resistentes, não sabem ao certo qual a melhor direção a tomar. É uma fase difícil e ele sabe disso. Bem que gostaria de ter a assistência de um “jardineiro” experiente que lhe proporcionasse segurança, afirmação e a convicção de que pode preencher um muro todo com uma folhagem verde e exuberante. Exatamente, como seu Criador sempre quis.