Cresci. E agora?

A foto que ilustra a capa desta edição aparece num livro* de poesias da poetisa mineira Adélia Prado. Ao lado da foto o poema Orfandade.
As últimas linhas do poema me causaram profundo pesar: “Me dá minha mãe, alegria sã e medo irremediável, me dá a mão, me cura de ser grande, oh meu Deus, meu pai, meu pai.”

A poetisa, há muito, já vira no olhar do adolescente sua grande inquietação e angústia por estar sendo expulso da infância para enfrentar, antes do tempo, a vida adulta. Este número de Mãos Dadas é dedicado ao drama da criança que um dia não pode mais se esquivar de “ser grande” e que ao alcançar a maioridade continua órfã, emocionalmente desnutrida, dançando perigosamente ao som do vento, como a palha.

O assunto surgiu a partir de uma discussão entre os parceiros sobre o que fazer com os adolescentes que em nossos projetos atingem aquela idade dramática: os 18 anos.
À primeira vista, seria motivo de celebração. Poderíamos listar todos os obstáculos vencidos: as inúmeras refeições consumidas, os visitas aos médicos, as tarefas escolares, as revistas de escolas dominicais preenchidas, as admoestações recebidas, as orações proferidas, as partidas de futebol (tanto as ganhas como as perdidas).

Mas talvez, para o adolescente esta data represente uma espécie de morte, a ruptura com um vínculo certo, de longa data, e que bem ou mal lhe valeu a sobrevivência até agora.

Não é justo esperar que um rapaz ou uma moça de 18 anos, sem vínculos familiares fortes, já seja capaz de se sustentar. Não esperamos que nossos filhos se tornem donos do nariz nesta mesma idade! Enfrentar o jogo da vida sem o apoio “técnico” dos pais se torna uma grande desvantagem.

Para nós, que trabalhamos diariamente para forjar a vitória junto com o adolescente, fica o desafio: mobilizar mais pessoas de forma que os que torcem desçam das arquibancadas e juntem-se a nós nos bastidores. Nosso alvo: proporcionar a todo adolescente vivendo situações de risco social o “apoio técnico” indispensável para uma vida feliz. Afinal, jogar é preciso!

De mãos dadas,

Elsie Bueno Cunha Gilbert 

* PRADO, Adélia, poemas. BISILLIAT, Maureen, imagens. Chorinho Doce. São Paulo: Alternativa, 1995.

 

Autor(a): Elsie B. C. Gilbert, editora da Rede Mãos Dadas.

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