Ela viu a menina à beira do caminho

A menina permanecia sentada na frente do seu barraco o dia todo, todos os dias da semana. Não falava com ninguém, não sorria. As pessoas daquela favela em Delhi, Índia, acreditavam que ela tinha problemas mentais. Ninguém se importava a ponto de investigar o que estava por trás desse comportamento tão estranho. Até o dia em que Harshalatha, uma assistente social trabalhando para The Evangelical Fellowship of India Commission On Relief (EFICOR), ONG evangélica de assistência na Índia, decidiu enxergar a menina, sorrir para ela, conversar com ela e por fim, tocá-la, como Cristo teria feito.

Com o tempo, Tulsi, a menina, com 10 anos de idade na época, começou a corresponder e acabou revelando uma história de abandono, negligência e pobreza extrema. Sua mãe morrera deixando-a sob os cuidados do pai. Mas ele vivia uma situação de desespero e precisava de cuidados de saúde urgentes. Enquanto a menina ficava sentada à porta do seu barraco, o pai definhava na cama, completamente tomado pela tuberculose. Quando Harshalatha começou a busca por intervenção, saúde dele já tinha se deteriorado levando-o à morte prematura.

Então a EFICOR se viu diante de uma situação difícil: o que fazer com a Tulsi, já com 11 anos de idade. Os líderes comunitários insistiam para que a menina ficasse na própria favela. “Ela é nossa”, diziam. Mas a equipe da EFICOR suspeitava que este caminho fosse perigoso para Tulsi, afinal, eles não tinham socorrido a menina em nenhum momento desde a morte da sua mãe. Eles não tinham se importado com ela durante todos os anos da doença de seu pai. Havia, pelo contrário, a suspeita de que a razão pela qual a comunidade resistia à retiradada menina era porque alguns homens ali desejavam abusar dela.

Então Harshalatha levou-a para sua própria casa e deu-lhe um banho — já fazia sete anos que a menina não tomava banho! Em seguida, ela lhe deu roupas e um quarto quentinho para dormir. Mas acima de tudo Harshalatha deu a Tulsi um lugar seguro no seu coração. A EFICOR encaminhou a menina para Mukti Mission, um abrigo para crianças deslocadas localizado em Kedgaon, na cidade de Pune, na Índia. Há alguns anos, quando a encontrei, ela veio conversar comigo, tocando violão, com um grande sorriso no rosto e leveza nos pés. Ela veio até mim e perguntou: “Tio C.B., o senhor se lembra de mim?”. É claro que eu me lembrava! Como poderia esquecer? Eu sei que Jesus nunca a ignorou e que sofreu com ela a solidão de cada um daqueles longos dias.

 

 

Autor(a): C. B. Samuel, diretor executivo da EFICOR (www.eficor.org), uma organização localizada na Índia. Desde 1983 ele se dedica ao desenvolvimento da capacitação comunitária a partir do modelo bíblico e à promoção de uma resposta evangélica aos problemas sociais da Ásia num contexto de missão integral.

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