Menino fujão é laçado por Deus

Josué: aprendeu a fugir, mas reaprendeu a viver

Josué: aprendeu a fugir,

mas reaprendeu a viver

Conheci o Josué num treinamento do CLAVES realizado em Recife.* Veio me contar do curso de serigrafia que criara e de sua meta de profissionalizar cem jovens por ano. Os olhos de Josué brilham sempre que fala do sonho de ver um jovem se encontrar com Deus assim como ele o fez um dia. Eu, naturalmente, quis saber mais…

Fugas
Até os oito anos de idade Josué morou com vários familiares e em vários locais: Natal, Rio de Janeiro, Uberaba, voltando novamente a Natal. Já recebera alguma influência evangélica: a tia que o adotara o levava à escola dominical.
Mas, aos oito anos Josué fugiu. Fugiu porque não “agüentava mais ter que fazer tudo que minha tia queria, atividades do lar, estudos, ficar preso em casa.” Tinha uma necessidade grande de liberdade, de não precisar dar satisfação a ninguém.
Josué viveu nas ruas por muitos meses. Fez de tudo, de lavação de carros a limpeza de fossas. Fugiu dos meninos maiores. Fugiu de Natal para Mossoró com medo do Mão Branca que exterminava crianças de rua na capital.

Laços
Vez por outra estabelecia vínculos mais prolongados. Foram quatro as famílias que o receberam. Mas Josué sempre acabava fugindo novamente.
Por fim uma dessas famílias o encaminhou ao juiz de menores. “Onde moram seus pais?”, perguntaram-lhe. “Em São José de Mipibu”, mentiu. O juiz percebendo a mentira determinou que fosse internado na FEBEM de Mossoró até que os pais aparecessem.
Da FEBEM Josué mantém na memória a lista “do Bem” (que por sinal é grande), a lista das pessoas que lhe deram atenção e cuidado. “Aprendi muito. A instituição para mim foi uma faculdade”, diz ele. Mas recorda também que saiu aos 18 anos da mesma forma que entrou: sem nada.

Encontros e reencontros
O que Josué mais desejava era fazer parte de algo importante, ser aceito e ser querido. Olhando para trás, ele vê que Deus o levou a vários encontros que deram direção e significado para sua vida.

Primeiro ele reencontrou a família. Voltou a Natal para servir o exército. Procurou a tia, o pai, a mãe, os irmãos ainda como soldado. A mãe ao revê-lo exclamou: “Josué, meu filho, Deus seja louvado!”

Encontrou uma profissão. Após o ano de serviço militar e mais algum tempo trabalhando num supermercado, Josué decidiu tentar um concurso para a polícia militar. Em março de 1989 ele venceu uma concorrência de 3.400 homens para 400 vagas e viu claramente a mão de Deus atuando no dia da seleção.
Encontrou uma companheira. Casou-se em 1992 com Maiza Damasceno, depois de dois anos de namoro em que juntos conseguiram financiamento para a casa própria, aquisição da mobília e ainda reservas para a festa de casamento!

Reencontrou a fé. A fé de menino foi reavivada por uma experiência de conversão na Igreja O Brasil para Cristo e tempos depois nutrida pela Igreja Presbiteriana Independente de Pajuçara onde atualmente congrega com a esposa e três filhos.
E finalmente, encontrou uma missão. Em dezembro de 2005 Josué completou 16 anos de polícia. É hoje segundo sargento e, nas horas vagas, realiza o que encara como sua missão: o projeto de serigrafia. Quer mostrar a jovens carentes o que descobriu para si mesmo: que Deus tem prazer em nos abençoar e quer nos usar com as ferramentas que ele mesmo nos dá.

* CLAVES (chaves, em espanhol) é um método criado pela Mocidade para Cristo do Uruguai em 1995, voltado para a prevenção da violência sexual e maus-tratos contra crianças e adolescentes.

Autor(a): Elsie B. C. Gilbert, editora da Rede Mãos Dadas.

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