Meu filho não é quem eu pensei: e agora?

Meu filho não é quem eu pensei: e agora?

Neste início de 2026, mais precisamente dia 04 de Janeiro, o caso do cachorro Orelha, que sofreu maus tratos em Praia Brava, região nobre de Florianópolis-SC, repercutiu nas mídias do Brasil e do mundo. Dois dias depois, 06 de Janeiro, no mesmo local, houve o registro em vídeo de uma tentativa de afogamento de outro cão, Caramelo. E o que impactou ainda mais essas chamadas é que, ao que tudo indica, ambas as ocorrências foram feitas por grupos de adolescentes. A internet ficou em polvorosa. Questões sobre os pais dos meninos foram levantadas. A escola que os meninos estudam entrou em cheque também. Toda a vizinhança se manifestando sobre a importância de algo ser feito sobre a situação, a punição foi conclamada. 

O que você faria se um dos seus filhos agisse dessa forma? Talvez sua criança ou adolescente não tenha chegado a cometer atos crueis como estes, mas o que você sente quando percebe que seu filho é capaz de ferir, humilhar ou ser cruel? Essa é uma dor que mais cedo ou mais tarde os pais acabam por sentir. Normalmente tendemos a crer que existem pessoas boas, “do bem”, e pessoas más, de mau caráter. E quando algo desafiador assim surge não é incomum pais entrarem em colapso ao verem que os bons filhos agiram de modo desumano. A imagem idealizada do filho quebra, “algo que ele jamais seria” está ali, diante dos seus olhos. Então vários movimentos da paternidade podem surgir: negação, minimização, ironia, justificativas… Defesas que aparecem para não sustentar a dor de encarar o filho “monstro”, o filho mau. 

A Bìblia nos diz claramente: 

Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus. (Romanos 3:23 – ARA) 

Ou em outra versão: 

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. (Romanos 3:23 – ARC/ NVI)

Apesar de termos o entendimento de que todos somos pecadores em mente, na verdade é muito difícil aceitar que todos somos essencialmente maus nas questões do dia a dia. Difícil aceitar que os filhos podem ser maus, tão maus assim. Porém, quando essa barreira é quebrada, algo cheio da graça do Senhor Jesus acontece: é aí, no local do caos, que o amor pode encontrar espaço para curar, restaurar e tratar a semente. O coração sempre vai ser pecador – em processo de restauração, quando encontra a Graça, mas ainda sempre pecador. E diante disso o quadro muda. 

Não é mais sobre meu filho ser ou não ser mau. Ele é mau. Ponto. A questão é o quanto a graça de Jesus pode ou não encontrá-lo neste ou naquele episódio, naquele comportamento. E fica a pergunta então: É possível amar um filho e, ainda assim, reconhecer comportamentos profundamente preocupantes? (Como você responderia esta pergunta aqui nos comentários? Realmente queremos saber, diga aí embaixo!)

E pra terminar, quando o adulto consegue enxergar de fato a situação difícil – péssima, muitas vezes – em que o filho se encontra e não se apressa em explicar tudo aqui, mas realmente perceber a situação, o encontro com a verdade, com a vida, com a restauração, com o caminho da possibilidade do novo, realmente começa a ser construído. Mas para isso é preciso coragem. É preciso o amor de Jesus. Amor que fala palavras duras, mas que curam. Que corrige profundamente, mas transforma. 

Se você é pai ou mãe e precisa de apoio nesse processo, busque ajuda! Você é a pessoa mais cheia de autoridade (dada pelo Pai dos pais) para conseguir manejar essa situação toda. Só precisa, talvez, aprender mais desse novo olhar gracioso sobre seu filho e sobre você mesmo, como responsável. Conte com seu Pai de amor. Ele te guiará à ajuda capacitada! Busque e você verá. 



Débora Vieira é psicóloga parental e editora da Rede Mãos Dadas.

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *