Nós já chegamos aos milhares; eles, aos milhões. Mas quem somos nós? Quem são eles?

Nós somos homens e mulheres convocados por Deus para trazer o seu reino e a sua justiça às crianças vítimas de quaisquer maus tratos, da violência sexual à simples negligência, que produz o olhar sem brilho, a apatia total.

Temos uma visão: uma existência mais digna para essa gente miúda. Temos uma missão: resgatar nos meninos e meninas o significado de serem eles imagem e semelhança do Deus Vivo. Temos um desafio: o enorme abismo social em que essas crianças e esses adolescentes se encontram, no qual são treinados a pecar como regra de sobrevivência e onde o pecado contra eles é tão cruel e em proporções tão assombrosas que choramos e nos lembramos destas palavras de Jesus: “ai daqueles pelos quais um desses pequeninos vier a pecar”.

Eles são meninos e meninas que vivem situações desumanizadoras, em que aquilo que é próprio da infância lhes é negado: a comida, a casa, o banho, o médico, o remédio, a escola, o tempo para brincar, a segurança e o carinho de adultos responsáveis, além dos limites estabelecidos por uma disciplina saudável. São os catadores de lixo, os meninos de rua, as vítimas da exploração sexual, as crianças mendigas, os cheiradores de cola, os pequenos infratores, os “desertores” das escolas, os que ficam trancados em casa o dia todo, as vítimas de abusos na calada da noite.

Eles somam milhões; nós, quem sabe chegamos a dez mil? Sabemos que se o Senhor não multiplicar os nossos esforços, o que fizermos será como uma gota no oceano. Cansaço e isolamento são nossos piores inimigos. No entanto, somos conscientes de que fomos convocados por Deus e que ser fiel é muito mais importante do que o sucesso dos números.

Temos necessidades comuns: capacitação e apoio moral e espiritual. Mãos Dadas se propõe a ser o seu ponto de encontro com outros homens e mulheres envolvidos diretamente com a criança em risco. É um espaço destinado a ser o seu lugar comum, o seu bate-papo restaurador. Buscamos a troca de informações, a inspiração e a reflexão. Um bate-papo que enriqueça requer a participação de todos. Por isso, entre na roda.

O tema desta primeira edição é o resultado de nossa preocupação com a violência doméstica, cujos números revelam que nossas famílias estão doentes. “Quando a barra lá em casa ficou muita pesada, fugi. Hoje moro na rua, pois é melhor viver na rua que em casa”, diz Flávia, 14 anos. Muitas vezes a rua e, conseqüentemente, a criminalidade são os caminhos para fugir desse inferno que é sofrer violência dentro de casa.

Precisamos de tratamento, mas um tratamento eficaz e duradouro. O tratamento de doenças complexas exige soluções integrais. É o caso desta doença, que aflige um grande número de famílias em nossa sociedade.

Mas a violência doméstica não é privilégio de algumas classes sociais. Ela é democrática. Não escolhe status, raça, religião nem grau de escolaridade. Silenciosa, está em todos os lugares. As denúncias, tímidas, chegam pouco a pouco e deixam à mostra apenas a ponta de um iceberg, que retrata a situação da infância brasileira.

Esperamos que esta edição venha a contribuir para a sua reflexão sobre o assunto, mas que também lhe ofereça recursos e idéias práticas. Queremos que você se sinta motivado a agir e a buscar a capacitação de que precisa para lidar com situações de violência doméstica em seu local de trabalho, na sua igreja ou na sua comunidade e, até mesmo, em seus relacionamentos familiares.

Que por meio da leitura de Mãos Dadas você se sinta reconfortado e revigorado para continuar na luta em favor da dignidade de nossas crianças e nossos adolescentes.

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