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Emília (103 anos): órfã aos 13, conheceu o evangelho por meio de uma vizinha que a socorreu durante o luto

Minha mãe, Emília Perruci Cervino, completou 103 anos em abril de 2008. Gosta de ficar em sua cadeira de balanço. Traz os cabelos branquinhos, o corpo magro, a respiração cansada, tem certa deficiência visual e auditiva por causa dos muitos anos vividos. Sua mente, porém, está lúcida e ativa. Acorda pela manhã perguntando se é dia de ir à igreja. Canta hinos de louvor a Deus, recita versículos da Bíblia, aconselha os que se achegam a ela, e está sempre feliz. Quem a vê, tão frágil e dependente, não imagina a mulher forte e valorosa que tem sido, nem o quanto sofreu, lutou e venceu com humildade e mansidão.

Filha de imigrantes italianos, teve sua infância permeada pelo amor dos pais, pela pobreza e pelas perdas familiares. Órfã aos 13 anos, Emília conheceu o evangelho por meio de uma vizinha que a socorreu durante o luto. Batizou-se na Igreja Batista da Torre, em Recife, PE. Ela recorda com muita alegria a sua juventude, as festas sociais, os namoros, os programas onde recitava poesias e cantava.

Ela tinha o desejo de servir a Jesus, então a igreja apoiou seus estudos no Colégio Americano Batista e na Escola de Trabalhadoras Cristãs (hoje Seminário de Educação Cristã). Depois trabalhou em um hospital como auxiliar de enfermagem. Ali conheceu a dona de uma fábrica de biscoitos e massas, de quem se tornou grande amiga. Essa mulher sofrera um acidente e ao sair do hospital convidou Emília para trabalhar como sua enfermeira particular.

Casou-se em 1933 com um primo de São Paulo, também filho de imigrantes, chamado Rafael. Em um mês namoraram, noivaram, casaram e viajaram. A amiga rica deu todo o enxoval, inclusive vestido de noiva!

Algum tempo depois o casal voltou para Recife e novamente a amiga rica os ajudou conseguindo para Rafael um emprego na fábrica, onde ele trabalhou durante 35 anos, até a aposentadoria. Como representante passava dois anos em cada capital. Assim Emília criou seus filhos sem família por perto para ajudá-la. Perdeu dois recém-nascidos.

No início Rafael não era evangélico, mas, quando morreu, aos 95 anos, tornara-se um crente fiel. Emília fazia o culto doméstico diariamente, levava suas filhas à igreja, orava e evangelizava os vizinhos. Ensinava não só com palavras, mas com o exemplo diário e constante. Participava ativamente na sua igreja e denominação. Cooperou na organização da Casa da Amizade, do Lar Batista Elizabeth Mein e em muitas outras atividades. Ajudou a criar órfãos e tinha sua casa aberta para todos os que precisassem. A “Pensão da Dona Emília” (como apelidaram a sua casa), sempre tem visitantes, hóspedes e amigos para as refeições, para dormir ou morar com conforto e boa acolhida.

Ao acordar pela manhã ela me abraça e diz: “Minha filha, quanto eu te amo!”. Ou: “Por que só você cuida de mim?”. Eu sempre lhe explico que Deus me preservou solteira para me dar o grande privilégio de estar com ela agora. Esta é pessoa maravilhosa que eu admiro, e é admirada por muitos, amigos e irmãos na fé.

Autor(a): Yycléa Cervino 70, trabalhou durante 50 anos na Casa da Amizade, no Seminário de Educação Cristã, em Recife, PE. Hoje está aposentada e reconhece como seu ministério cuidar da mãe.

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