Visão Mundial: ações abrangentes no combate à violência sexual infanto-juvenil

“Depois eu conto mais detalhes da situação aqui. Você sabe como são as autoridades no interior. O delegado quer pedir um exame de corpo de delito da menina de 12 anos. Não gosto da idéia. Vamos submetê-la a mais um “atentado” para provar o quê? Os depoimentos das meninas menores não são o suficiente? Você sabe de alguém a quem eu possa recorrer? Por que essas informações ficam presas lá em cima e não chegam até nós?”

Diante do porte da Visão Mundial, torna-se impossível detalhar aqui todas as suas áreas de atuação. A instituição dispõe de recursos para mobilizar a sociedade em torno de um assunto específico. Uma das causas que ela defende com vigor é a luta contra a violência sexual infanto-juvenil.

Enfrentar a violência sexual é papel do Estado. Mas cabe só a ele a responsabilidade?

“Não, cabe a todos nós — ONG’s, governo, igreja e cidadãos — combater a violência sexual infanto-juvenil”, afirma Welinton Pereira da Silva, pastor metodista e assessor de direitos humanos da Visão Mundial.

Conscientização
Desde o início da década de 90, a Visão Mundial vem promovendo uma maior conscientização da sociedade brasileira no que diz respeito aos direitos da criança e do adolescente, e cobrando mais efetividade das políticas públicas. Apoio e parceria são as palavras-chave: apoio a iniciativas sérias e coerentes; e parceria com outras organizações e movimentos sociais.

Alguns exemplos: a Visão Mundial organizou o movimento “Pacto São Paulo”, contra a violência e o abuso sexual de crianças e adolescentes. O pacto reuniu mais de trezentas organizações do mais populoso Estado do país em torno da causa. No Rio de Janeiro e no Espírito Santo, a Visão Mundial ajudou a criar fóruns de enfrentamento da violência sexual infanto-juvenil. Em Minas Gerais, a ONG tem trabalhado para fortalecer redes regionais de apoio à sociedade civil contra o problema.

Ação direta pelas crianças
No Nordeste, especialmente em Pernambuco e na Bahia, aproximadamente 38.000 crianças e adolescentes são beneficiados pelos trinta projetos sociais que a Visão Mundial apóia. Segundo a assessora de direitos humanos da organização no Nordeste, Maria Carolina Silva, os casos de abuso sexual não são raridade para quem lida dia a dia com as crianças. Ela afirma: “Acabamos servindo como mecanismo de denúncia e encaminhamento de casos ou suspeitas de violência sexual na comunidade”. Na região, a Visão Mundial realiza oficinas e seminários sobre a temática, incentiva outras organizações e apóia redes estaduais de combate a esse tipo de crime.

Fonte de referência
A sociedade está começando a encarar o problema da violência sexual infanto-juvenil. Segundo a Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA), em seis anos de funcionamento, o Disque-Denúncia nacional registrou quase 5 mil denúncias de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes — um número expressivo.

Nesse processo de amadurecimento da sociedade, a Visão Mundial se tornou referência sobre o assunto. Em julho passado, o Congresso Nacional convidou o Pr. Welinton para falar na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre “Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes”. Ele apresentou dados de uma pesquisa (PESTRAF)1 que revelam que somos o segundo país no mundo em número de mulheres e jovens traficadas para a exploração sexual comercial.

O importante é perceber que grandes organizações têm a oportunidade e o dever cristão de atuar nas esferas de decisão mais altas da sociedade. Os papéis que elas exercem podem ser diferentes, mas eles demandam integridade e clareza de princípios cristãos, como qualquer outra iniciativa entre nós.

Nota:
1 Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual. 

Autor: Lissânder Dias, é editor web na Editora Ultimato.

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