Dia 1: “A Multidão Unida”

 

 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Estavam morando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Assim, quando se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que foi tomada de perplexidade, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam atônitos e se admiravam, dizendo: Vejam! Não são galileus todos esses que aí estão falando? Então como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes. Como os ouvimos falar sobre as grandezas de Deus em nossas próprias línguas?

Todos, atônitos e perplexos, perguntavam uns aos outros:

 — O que será que isso quer dizer? (Atos 2.1-12 NAA)

Muitos contextos aproximam as pessoas de interesses semelhantes: guerras, desastres, feriados e celebrações culturais, casamentos e funerais, comida e linguagem. Estas mesmas coisas também podem nos separar. A história da Torre de Babel revelou o que Deus viu quando os humanos se juntaram:

E o Senhor disse: — Eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo o que planejam fazer. (Gn 11.6 NAA).

Grandes possibilidades se tornam reais quando os seres humanos se unem, seja para o bem ou para o mal. 

Todos os anos, cinquenta dias após a Páscoa (Lv 23.16), judeus devotos de muitas nações reuniam-se em Jerusalém para celebrar o Pentecostes, a Festa da Colheita do Trigo (Ex 23.16). A celebração do Pentecostes em Atos tem alguns paralelos e contrastes importantes com a história da Torre de Babel:

  • Em ambas as histórias, Deus desce do céu e as pessoas ficam confusas quando ouvem tantas línguas. 
  • A aproximação das pessoas é importante em ambas as histórias. Na Torre de Babel, o desejo humano de fazer um nome para si mesmos e suplantar o céu uniu-as. Em contraste, no Pentecostes, foi o som do Espírito Santo, as línguas de fogo, e as muitas línguas faladas, que aproximaram as pessoas. 
  • Na Torre de Babel, eles queriam projeção e desafiar o divino. No Pentecostes, a esperança anunciada baseia-se no nome de Jesus Cristo e na ressurreição. 
  • Na Torre de Babel, as pessoas uniram-se para desafiar o desejo de Deus de que a humanidade se espalhasse e enchesse a terra (Gn 1.28). O que aconteceu foi uma confusão linguística que os obrigou a se dispersarem. No Pentecostes, as pessoas se aglomeraram num esforço para compreender a revelação de Deus. O resultado foi a conversão de muitos e a dispersão do Evangelho entre as nações. 
  • Na Torre de Babel, o orgulho humano resultou em divisões.  No Pentecostes, Deus nos apresentou o meio para curar as divisões causadas pelo orgulho humano.

Reunimo-nos nas nossas comunidades de fé e em nossas casas em busca de comunhão. Queremos compartilhar a vida e fazer as coisas em conjunto. Mas, como nos tempos de Babel, muitas vezes queremos fazer um nome para nós mesmos. Queremos criar as nossas torres de orgulho resultando em medo, arrogância, ou ciúmes daqueles que são diferentes de nós. A nossa natureza pecaminosa leva-nos a ficar divididos. Nas nossas igrejas, locais de trabalho e lares, estamos nos parecendo mais com o ambiente da Torre de Babel, confusos, sem compreender a língua um do outro.

 Paulo escreveu a Timóteo: “Deus não nos deu um Espírito que produz temor e covardia, mas sim que nos dá poder, amor e autocontrole”(2 Tim 1.7 NVT). Em contraste com o medo, o Espírito de Pentecostes produz “amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão, autocontrole…”. O fruto do Espírito Santo é comunitário; a sua principal função é nutrir as nossas comunidades. 

Por que então, o espírito de arrogância – a atitude de Babel – parece reinar nas nossas comunidades, igrejas e famílias? Essas divisões afetam os mais vulneráveis entre nós, ou seja, as crianças e os adolescentes. 

 

Hoje vamos orar por perdão

 

Quais são as atitudes que nos separam e nos dividem dentro das nossas igrejas e em nossas famílias? Será que precisamos expressar que discordamos com tanto desamor? O estar correto é o que nos une? Como é que o orgulho em nossas comunidades causa divisões? Como é que o nosso medo pode causar divisões? Será que nossa arrogância pode nos levar ao pecado e a perder oportunidades de expressar o amor?

Espírito Santo, ensina-nos a nos unir em torno do amor, não da divisão. Arrependemo-nos da nossa arrogância e do medo que nos motiva a prestar atenção no que percebemos como erros de julgamento nos nossos irmãos e irmãs em Cristo.
Confessamos que esta atitude de vigilância exacerbada muitas vezes nos leva a conversas abrasivas. Pedimos, Espírito Santo, que o Senhor nos empurre na direção certa, porque a falta de paciência é um sinal de falta de amor. Ajuda-nos a entrar em diálogo com as gerações mais jovens, a aprender a ouvi-las, e a ver a esperança que o Senhor, Santo Espírito de Deus, enxerga nelas! 

Oro especificamente por (                       ).

Ajuda-me a ver a pessoa maravilhosa que o Senhor o concebeu para ser.
Ajuda-me a celebrar verdadeiramente a sua vida. Dá-me a oportunidade de expressar o meu amor por ele/ela com palavras de afirmação,
palavras que trazem vida, não crítica ou julgamento, calor, não ranger de dentes.
Espírito Santo, ajuda-me a colocar de lado as minhas convicções sobre as coisas erradas que o/a (                       ) possa estar fazendo e mostra-me a esperança que o Senhor, Santo Espírito de Deus, enxerga nele/nela.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno. (Salmo 139.24)
  • Por James Bruce Gilbert