Dia 2: “Juntos, Em Pé”

dos, atônitos e perplexos, perguntavam uns aos outros: 

— O que será que isso quer dizer?
Outros, porém, zombando, diziam: — Estão bêbados!
Então Pedro se levantou, junto com os onze, e, erguendo a voz, dirigiu-se à multidão nestes termos:

 — Homens da Judeia e todos vocês que moram em Jerusalém, tomem conhecimento disto e prestem atenção no que vou dizer. Estes homens não estão bêbados, como vocês estão pensando, porque são apenas nove horas da manhã. Mas o que está acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel: “E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade.

Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus jovens terão visões, e os seus velhos sonharão. Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.”(Atos 2.12-21, NAA)

Os doze certamente se sentiram ameaçados por uma multidão tão numerosa zombando deles. Jesus tinha enfrentado uma grande multidão gritando “Crucifica-o!” apenas cinquenta dias antes disso. Agora aquela multidão estava perplexa e alguns já tinham começado a insultá-los.  Poderia ser perigoso. Quando temos conflitos, ou estamos sendo atacados, somos obrigados a tomar uma posição. Pedro se moveu para ficar de pé junto com os outros onze discípulos.   

Na noite em que Jesus foi traído, Pedro sacou sua espada atacando um soldado. Jesus o repreendeu ao mesmo tempo em que era levado para ser julgado. Mais tarde, em desvantagem numérica na corte, Pedro temeu se posicionar ao lado de Jesus e acabou negando-o três vezes. Quando confrontado com uma grande oposição, incapaz de tomar a ofensiva, Pedro não conseguiu manter sua posição ao lado de Jesus. 

Para alguns de nós, o ataque é a única maneira que encontramos para defender alguém ou alguma convicção. Após a ressurreição de Jesus e a reconciliação de Pedro com seu Mestre, ele sempre se posicionou a favor de Jesus. E assim, nesta cena, ele o faz, ficando de pé com os outros discípulos. 

Como ele se posicionou? Não foi atacando a multidão. Jesus ensinou “dê a outra face”, e “ame seus inimigos”.  O fracasso de Pedro em relação a Jesus ainda estava fresco em sua própria memória. Ele não podia retaliar os insultos com zombaria. Pedro, ao invés disso, procura algo em comum, chamando-os de “irmãos”.  Somente depois que eles ficaram chateados com eles mesmos e lhe perguntaram como corrigir o mal que fizeram, é que Pedro lhes disse o que deviam fazer.  

Pedro, cheio do Espírito, nega o espírito de arrogância. Ele se torna nosso exemplo. Podemos dizer que sempre tivemos razão e fomos fiéis a Jesus? De jeito nenhum! Sim, nós somos seguidores do Caminho, da Verdade e da Vida. Mesmo assim, isso não nos dá o direito de zombar daqueles que ainda não enxergaram a sabedoria de seguir ao nosso Senhor.

Se você der um passeio pelas mídias sociais na internet para consumir o mesmo conteúdo acessado por milhões de adolescentes,  terá surpresa com a forma como eles veem os cristãos, o cristianismo ou os evangélicos. Os adolescentes não-cristãos de hoje não estão indiferentes quando se trata de evangélicos. Há muita zombaria e insultos contra os evangélicos baseados na percepção de que contribuímos para as injustiças sociais. 

Nesse tempo de conflitos e divisões, queremos zombar e atacar aqueles que parecem abraçar valores contrários aos nossos. Sentimos que suas crenças são uma ameaça para crianças, adolescentes e para nós mesmos. Queremos atacar para proteger o nosso lado. Em tempos de conflito, queremos intervir com poder e autoridade. Outras vezes, quando nos sentimos em desvantagem, escondemos-nos com medo.  

Jesus quer uma família amorosa, pais responsáveis, comunidades saudáveis, pessoas tratando umas às outras com dignidade, respeito e igualdade, bom acesso à saúde, relações justas no mercado de trabalho, segurança em nossas ruas, uso responsável dos recursos naturais. Queremos lutar contra aqueles que se opõem aos valores de Cristo porque estes valores são verdadeiros e promotores da vida. O problema é que alguns de nós abraçamos um valor como fundamental e outros assumem um outro valor. Rapidamente passamos a lutar disputando sobre qual deles é o mais importante. 

Não é fácil nos posicionarmos do lado de Jesus, com todos os seus valores, quando todos à nossa volta estão no ataque. Uma das maiores estratégias de nosso Inimigo comum é a confusão e a discórdia. 

O Espírito Santo veio sobre todos nós, ele nos capacita a defender todos os valores de Jesus. Quando ele nos enche, ele também nos dá o poder de nos posicionarmos ao lado daqueles que são mais fracos, solitários e desprezados. E entre eles estão muitas das crianças e adolescentes deste mundo, inclusive aqueles que zombam de nós. Significa também estar ao lado dos cristãos, irmãs e irmãos, que os servem. Quando estamos juntos em nome de Cristo, o fruto do Espírito – amor, alegria, paz, bondade, paciência – floresce mesmo nos lugares mais escuros.

 

Hoje vamos orar por discernimento

 

Quem Jesus quer que defendamos? Se não vamos defender atacando, como podemos defender de uma maneira semelhante à de Cristo? Que crianças ao seu redor precisam de cristãos para estar com eles de uma forma mais intencional e organizada? Temos companheiros discípulos de Jesus que enfrentam ameaças ou dificuldades porque suas ações mostram que estão cheios do Espírito Santo? 

Espírito Santo, eu oro para que o Corpo de Cristo se una para o bem das crianças e adolescentes que sofrem como resultado das divisões de um mundo que rejeita a Deus. Oro também por aqueles que estão nos lugares mais difíceis ministrando aos mais invisíveis. Reconheço que estes cristãos fiéis muitas vezes se tornaram, eles mesmos, invisíveis para a Igreja, mas nunca para o Senhor! Mantenha-os em segurança, renove suas forças, Espírito Santo de Deus. Que eles possam voltar com alegria, trazendo seus frutos aptos para a eternidade!  

Eu também oro por (                               ).
Oro para que o Senhor o/a proteja de discussões inúteis e comentários pouco amorosos.
Peço, Espírito Santo, o discernimento para que eu possa descobrir os verdadeiros valores que o/a (                     ) já abraça.
Ajude-me a afirmá-los e a mostrar respeito mesmo quanto aos valores que eu percebo conter desequilíbrio ou simplesmente erros.
Usa-me, Espírito Santo, para inspirar o/a (                               )a buscar a sua orientação na difícil tarefa de dar sentido ao mundo ao seu redor.
Oro para que o Senhor, Espírito Santo, me guie em minhas conversas com ele/ela ou destaque pessoas da nossa comunidade de fé para entrarem em diálogo com ele/ela. Promove conversas que deem vida. Seja qual for a mentira que o/a (                            ) tenha abraçado, que a sua Verdade, Senhor, prevaleça!

 

  • Por James Gilbert