Conversas difíceis na igreja: porque crianças precisam de uma comunidade que saiba conversar 

Conversas difíceis na igreja: porque crianças precisam de uma comunidade que saiba conversar 

Mesmo que a minha carta tenha causado tristeza a vocês, não me arrependo. É verdade que a princípio me arrependi, pois percebi que a minha carta os entristeceu, ainda que por pouco tempo. Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza de vocês os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa.
2 Coríntios 7:8,9

Quem tem o privilégio de viver a Igreja de Jesus conhece as belezas e as dores desse lugar espiritual. Faz-se bem posto o ditado popular “Ruim com ela, pior sem ela” (risos). A Igreja, Corpo de Cristo, formada e comprada pelo precioso sangue de Jesus na cruz, é esse lugar palpável, real, orgânico, em que posso encontrar Jesus hoje (Mt. 18:20; Ap. 5:9-10). Em toda a terra e em todos os tempos — passados e futuros — aquele que teve seus olhos abertos pela graça redentora passa a ser membro do Corpo de Cristo (1Co. 12:27; Cl. 2:12-13) quando reconhece que precisa de um Salvador que o resgate de seus próprios pecados, de sua própria história, de sua própria vida. A Igreja é esse espaço espiritual e único no mundo em que a diversidade dos remidos encontra, de fato, a unidade naquele que é a Cabeça. 

“Há um só corpo e um só Espírito…” (Efésios 4:4a)

Então é importante entendermos que a Igreja de Jesus, Corpo de Cristo, não depende de nós, da igreja em si, para existir, mas do próprio Filho de Deus que comprou o preço da sua edificação. Jesus forma a igreja, a constroi e a fundamenta na Rocha que é Ele mesmo (Ef.1:22-23). E Ele faz isso até hoje. Ele é Vivo, Seu corpo é vivo e continua agindo poderosamente em poder e graça por toda a terra. Aleluia!

Mas como explicamos, então, tantas questões difíceis no meio da Igreja de Jesus? Indiferença, polaridades políticas, abusos e falta de amor entre os membros desse Corpo? A resposta é simples, mas não simplória: há pecado em nosso meio. “Pecadinho” e “pecadão”. Pecado. E, por isso, precisamos encarar conversas difíceis. Precisamos aprender a conversar sobre aquilo que não é fácil dizer. Mas é preciso. Firmeza e amor andando juntos. Essa é a diferença do Corpo do próprio Cristo, que ainda sofre com o pecado, mas tem em si o poder do Salvador! 

Paulo, em sua segunda carta aos Coríntios, escreve sobre o que percebeu que sua primeira carta havia causado à igreja. Tristeza. E ele diz “a tristeza que Deus deseja”. Vejamos: ele jogou aberto com a igreja de Coríntios na primeira carta, falou coisas difíceis no poder do Amor e da Verdade – que são a mesma Pessoa. Ele não desistiu de falar, não fingiu que não viu o pecado, e por outro lado, também não falou palavras que não serviriam para edificação, passando do ponto. Os teólogos e estudiosos dessa carta sempre dizem que esta não era uma igreja fácil de lidar, mas Paulo soube falar o que era preciso – e viu Deus agir.

O fruto dessas duas cartas chegou até nós. Passando de geração em geração, elas nos servem de modelo, como tantas outras passagens bíblicas em que vemos a verdade em amor sendo dita e encarada diante de situações difíceis. A nova geração sempre precisará de modelos dos mais experientes na fé, que também precisam crescer mais e mais em maturidade. Essa maturidade se revela sempre de uma única maneira: no fruto do Espírito do próprio Jesus — amor, alegria, paz, longanimidade (paciência), benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl. 5:22-23). Contra essas coisas não há lei.

Os mais novos precisam ver que é possível. Encarar uma conversa difícil não é fácil e nunca será. AS crianças e adolesentes precisam ver o movimento de pessoas que querem, que acreditam que Jesus é o Dono da Igreja e age. Precisamos de oração, de tempo com Ele para saber como falar e o que dizer diante do outro que precisa ouvir. E, até muito mais de Deus para saber ouvir. Não conseguimos por nossa força ou carne. É algo que só Jesus pode fazer em Seu Corpo, é Ele quem age, Ele é o Cabeça. E os mais novos veem. Veem a família da fé se amando não só quando é fácil, mas quando há tanta diferença.

Que refúgio é a casa de Deus — aqueles que se reúnem em nome do Salvador dos seus pecados — neste mundo que jaz no maligno! Que fortaleza é o ambiente em que os filhos de Deus, que sabem das suas fraquezas, se encontram e deixam a Vida abundante acontecer! “Deixem as crianças virem a mim” (Mt. 19:14) se torna tão real! Que as conversas difíceis se tornem cada vez mais naturais em nosso meio, pelo amor, pelo poder e pela Verdade do Senhor Jesus. Amém. 

Débora Vieira é educadora cristã, psicóloga parental e editora da Rede Mãos Dadas.

 

 

6 Comentários

  1. Sonia Massolin

    Muito importante as crianças e adolescentes terem a orientação de como ser cristão. Conflitos na igreja, divergências de opiniões sempre terá. Mas nós adultos devemos com muita presteza, ensina-los e encaminhá-los da melhor maneira como lúdico e os adolescentes com linguagens práticas onde eles consigam entender.

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    • Debora Vieira

      Sim, as crianças precisam aprender na linguagem delas, toda a verdade sobre como podemos nos relacionar em amor, mesmo quando for desafiador. Obrigada pelo comentário, Sonia! Deus abençoe!

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  2. FELIPE MONTEIRO CABRAL

    Temos sempre que estar atentos em diferenciar conflitos de temperamentos ou comportamentos pecaminosos e conflitos saudáveis sendo resolvidos com mansidao amor e instrução guiados pelo espírito santo.

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    • Debora Vieira

      Isso, Felipe! É um desafio muito grande vivermos em paz de verdade, mas com a ajuda do nosso Cabeça, Jesus, é sim possível. A nova geração precisa ver!

      Obrigada por seu comentário! Deus abençoe!

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  3. Laimerte DOMINGUES de Moraes

    Estou repleto de certeza que tudo que foi mencionado acima são expiração divina, pois realmente é a pura verdade e que nos precisamos ter uma vida digna com Deus, viver pra ele e com ele , só assim podemos servir como servo de que maneja bem a palavra de Deus e não tem de que temer ou se envergonhar, as crianças precisam de nossos exemplos no amor no trato e atenção, igreja precisa fazer diferença em tudo em todo tempo, Amém, Amém!!!

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    • Debora Vieira

      Amém, Laimerte! Como as crianças precisam ver coerência da fé na teoria e na prática, não é? Que deixemos o Senhor Jesus ter liberdade em nosso meio para que isso aconteça. Em nome de Jesus.

      Obrigada pela comentário! Deus abençoe!

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