Educar a criança como a protagonista da sua educação – Parte 1

Educar a criança como a protagonista da sua educação – Parte 1

Reproduzimos um trecho do livro “Educar na curiosidade – a criança como protagonista da sua educação” escrito por Catherine L’Ecuyer. O livro é destinado a pais e professores. Recupera ideias sobre a educação que acolhe, aceita a criança como tal como ela é e cria oportunidades para que ela se desenvolva como protagonista de sua educação.

 

Motive-me, por favor!

Por Catherine L’Ecuyer

“”Motive-me, por favor!’, pede desesperadamente Elisa à sua professora do ensino médio. “Estou entediada, mamãe, não tenho vontade de fazer nada’, queixa-se Elisa, ao chegar do colégio, enquanto muda os canais da televisão com o olhar perdido, deitada apaticamente no sofá da sala de jantar.”

Os pais e o corpo docente dos colégios e das universidades dedicam cada vez mais tempo a responder à grande pergunta: o que podemos fazer para motivar os nossos filhos, os nossos alunos? Em casa, adquirimos o mais moderno arsenal para mantê-los entretidos: videogames, computador, iPad, celulares com internet, televisores nos quartos, DVD no carro… No colégio, na universidade, todos os meios são válidos para divertir a clientela estudantil: PowerPoint, lousa digital, iPad… Suponho que falte pouco para que os colégios e as universidades peçam, como requisito imprescindível para a contratação de professores, habilidade na dança ou no canto para dar “vida” às aulas.

Como diz Neil Postman, “os educadores, desde o primário até a universidade, estão aumentando o estímulo visual nas suas lições, reduzem o volume de explicações para os alunos, confiam menos na leitura e nos trabalhos escritos; e, de má vontade, estão chegando à conclusão de que o principal meio para conseguir o interesse dos estudantes é o entretenimento” (Divertir-se até morrer). É a era do espetáculo, motivo pelo qual, às vezes, parece que os educadores e pais pertencem mais ao setor do entretenimento do que ao da educação.

E por quê? À primeira vista, constatamos que o tempo de concentração e de atenção dos nossos filhos está cada vez mais curto. Frequentemente encontramos a causa desses problemas no – cada vez mais comum –  diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), uma das primeiras causas de consultas por transtorno psicológico hoje em dia. Curiosamente, as causas e soluções que são atribuídas ao TDAH foram objeto de muito debate desde a década de 1070; o TDAH é um dos transtornos mais controversos. Nos Estados Unidos, os casos de TDAH multiplicaram-se por dez nos últimos vinte anos e, de acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Sociais norte-americano, o efeito genético explica somente uma pequena parte do transtorno, fato que atribuiria aos fatores não genéticos um papel importante. Até agora, a ciência não pôde dar uma explicação exaustivamente convincente sobre a origem do TDAH, e o debate continua aberto.

Por outro lado, as avós constatam que as crianças com mais de três ou quatro anos “não são como as crianças de antigamente”. Não sei como eram as crianças de antigamente, mas me lembro de que as crianças da minha geração não subiam pelas paredes como a grande maioria das crianças de hoje em dia. Éramos capazes de esperar diante de um prato com chocolates até que nos dessem sinal verde para comer, sabíamos ficar quietos nas lojas e nas salas de espera, escutávamos os nossos pais – pelo menos quando ficavam um pouco sérios -, tínhamos nossos momentos de brincadeiras livres em silêncio, nos divertíamos com objetos simples e comuns, não passávamos o dia todo procurando novas sensações e não me lembro de qualquer criança da minha classe que estivesse medicada por hiperatividade, déficit de atenção ou transtorno de ansiedade.

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