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Um natal na fila de espera

Você e eu passaremos o Natal na fila. Isto porque o mundo também é um lugar profundamente marcado pelas desigualdades sociais. Nada torna isso mais evidente do que uma longa fila, neste caso uma fila que dá a volta ao globo em múltiplos loops.

Se todos estivéssemos em uma fila, a 1 metro de distância, essa fila imaginária envolveria o planeta 195 vezes. A fila nos diz que os recursos limitados não podem ser distribuídos ao mesmo tempo e, portanto, aqueles à sua frente obterão esse recurso primeiro. Estamos todos na fila, à espera de uma vacina que nos proteja contra o Covid-19 e permita voltar a algum tipo de normalidade.

Quanto tempo vai demorar? Depende de onde você mora, do país, do estado, da cidade, e até da sua rua. Porque, mesmo dentro da mesma cidade, você estará lá atrás na fila dependendo do seu bairro, que também determina sua posição social. Estamos prestes a testemunhar a maior demonstração da hierarquia humana (a ordem do galinheiro) na história mundial!

E como essa realidade está no campo da “serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar” da oração de Niebur, decidi pensar no que devo desenvolver no lado da “coragem de mudar as coisas que posso”.

O que eu devo fazer enquanto eu espero na fila?

Como brasileiros, você e eu temos muita experiência nessa área. A gente fica na fila do banco, do mercado, do ônibus, do dentista, do trânsito, nas eleições. Nossas filas são memoráveis. Lembra das filas formadas pela greve dos caminhoneiros em 2018?

O país inteiro parou por 14 dias porque os caminhoneiros autônomos se recusaram a trabalhar em protesto ao imposto sobre o diesel. As cidades deixaram de ser  abastecidas em todo o país. Faltou alimentos, aeroportos fecharam, hospitais entraram em planos de contingência, escolas fecharam.

E como nos comportamos?

Nós brasileiros tentamos furar a fila, tentamos cortar caminho (mesmo que isso signifique quebrar regras), demonstramos nossa indignação até ver o que nossos companheiros de fila estão pensando (se não dizendo): “Calma, você não é melhor do que nenhum de nós”.

Alguns de nós simplesmente desistem e decidem ficar sem o recurso que o motivou a entrar na fila. Mas, no final, nossa tendência é nos acomodar com a espera. E é aí que aprendemos a ser positivos e criativos diante da situação.

Aqui estão algumas coisas que fazemos: 

  1. Abrimos caminho para as pessoas com necessidades especiais como mulheres grávidas, idosos e pessoas com outros impedimentos. Coletivamente, os impulsionamos para a frente da fila;
  2. Nós cantamos, fazemos uma batucada e começamos a dançar (lembro-me de ter visto imagens de pessoas presas nas estradas fazendo um churrasco improvisado com música e dança durante a greve do caminhoneiro de 2018);
  3.  Contamos nossas histórias de vida, rimos das piadas que circulam na fila, aconselhamos os outros sobre todas as questões possíveis, compartilhamos nossas crenças – isso mesmo, sai até evangelismo nestas situações..

Ou seja, tornamo-nos peregrinos, o que é um passo na direção certa para nos tornarmos amigos. Não foi exatamente isso que Jesus escolheu fazer, andar em amizade conosco e, no processo, nos mostrar esperança? Não é este ato incrível do Deus na terra, Emanuel, na pessoa do bebê Jesus que comemoramos estes dias?

Engraçado que deveríamos começar nossa espera mundial durante o Advento. Isso nos lembra que toda a criação espera “ser libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” Um período de espera cheio de dores. “Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto.

O apóstolo Paulo nos lembra que essa espera tem um impacto profundo em nós também. “E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.” (Rm 8:19 – 23).

Enquanto estou na fila, esperando por uma vacina, acredito que Deus está me chamando a praticar a esperança em um nível que nunca ousei fazê-lo antes. Que eu exercite a esperança para além da dor, da sensação de isolamento, do medo, da esmagadora quantidade de más notícias caindo sobre nós diariamente. A esperança que sou chamada a praticar não se baseia em soluções humanas ou na generosidade dos nossos governantes, mas em um foco sincero no caráter eterno e imutável de Deus. Com base no seu histórico, ele não vai nos deixar na mão.

Que sua presença seja o meu conforto enquanto espero na fila. Que a generosidade do Senhor, para comigo e para com os outros por meio de mim aconteça enquanto avançamos lentamente um passo de cada vez. Que a alegria disponível no Senhor brilhe sobre nós ao celebrarmos pequenas bênçãos ao longo do caminho. Que a amizade nos una e nos mantenha íntegros. Que a esperança cresça em mim e em você até aquele dia, quando o encontrarmos, cara a cara, no dia que a esperança já terá cumprido o seu papel e não mais será necessária! 

 

  • Elsie Gilbert, coordenadora da Rede Mãos Dadas.

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